Achei super interessante a iniciativa de Márcia Correa quando mostra em seu face imagens das coisas bonitas que o Governo do Acre anda fazendo. Compromisso e amor pelo que é deles, deve ser a motivação para que projetos ligados ao setor de serviços saiam do papel.
Agora, vejam a nossa situação: a cidade está suja, as ruas esburacadas, não se plantam árvores há mais de 20 anos, as tarifas de ônibus aumentam de forma abusiva, transporte coletivo sem qualidade alguma. E os pedestres e ciclistas? Parece que a cidade não foi feita também para eles. Calçadas desniveladas, aliás, essas quando existem, foram feitas por conta dos moradores e comerciantes, sem orientação alguma da prefeitura. O trânsito, esse me dá frisson!
E as obras? Essas me angustiam mais ainda.
Vejam o caso do Shopping Popular. O projeto foi proposto durante campanha do Roberto Góes, um convênio no valor de oito milhões de reais foi liberado pelo então governador Waldez Góes e até agora nada!
Hoje, aquilo que se deveria chamar de espaço urbano, público, está tomado por ratos, baratas, mato e, provavelmente por mosquitos da dengue.
Os feirantes, coitados, como já estão cansados de esperar pela obra que não sai do papel, ocupam as calçadas para comercializar seus produtos.
Ultimamente me deram a informação de que a Câmara de Vereadores negou a transferência da obra ao Governo do Amapá.
Então, são por essas e outras razões(...), que não cabem aqui sua análise, que tomamos como referência aquilo que é do outro. Mas, não se enganem também temos uma coisa que talvez nossos irmãos acreanos não tenham. Mas essa, eu conto depois.
Bom final de semana pra vocês.
Estilo de vida cai bem
sexta-feira, 26 de agosto de 2011
terça-feira, 23 de agosto de 2011
Rio +20: discutir avanços ou debater retrocessos?
Meu amigo Henrique Vasconcelos, secretário-executivo da RAEFAP, membro do GTA e conselheiro do COEMA, participou da reunião do GTA no último dia 11, ocasião em que tiveram uma breve capacitação para a cobertura da Rio+20. Abaixo uma síntese do que foi discutido e que agora tenho o compromisso de compartilhar com vocês.
O professor Ricardo Abramovay, um dos palestrantes refletiu sobre o consumo desenfreado e afirmou: “É fundamental que nos reorganizemos quanto à nossa produção e consumo. Não basta ser mais eficiente naquilo que oferecemos, é necessário perceber se aquilo é de fato necessário para nós”.
Sobre a Economia Verde e Governança Internacional, o professor explicou: “Mesmo que aumente a eficiência na economia verde, a tendência é cada vez produzir mais, gerando mais CO2 e gases que contribuem para o aquecimento global”. E ainda alertou “se olharmos os últimos estudos, o aumento do PIB mundial está diretamente ligado ao maior consumo de carvão e de combustíveis fósseis para geração de energia”.
Uso de Gas Natural Liquefeito (GNL), energia solar e eólica sao as matrizes mais seguras, especialmente pelo baixo impacto ambiental gerado.
quinta-feira, 14 de julho de 2011
E AGORA, EMBARQUEI NA PROMESSA DA BANDA LARGA...
O pensamento em torno do desenvolvimento econômico avança na medida em que a produção cientifica e tecnológica gerada no interior das instituições acadêmicas e de pesquisa estiverem bem. Contudo, o acesso a esse conhecimento deve sim ser preocupação de governo. Então, não é a toa que o Governador Camilo Capiberibe deve passar noites em claro para buscar cumprir sua importante promessa de campanha, que é a conexão à internet em Banda Larga (BL).
O Governo Federal na década de 1980 teve a brilhante idéia de implantar a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), por onde passam atualmente todo o conhecimento cientifico e tecnológico produzido no país através das fibras óticas. Desde então, instituições governamentais em todo o país se associam à rede e com isso passam a acessar e compartilhar produção cientifica e tecnológica, o que provavelmente refletem políticas de fortalecimento da iniciativa privada de seus Estados.
A Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) foi um projeto criado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq), ligado ao MCT. A partir daí a RNP vem avançando e hoje desenvolve o projeto Redes Comunitárias de Educação e Pesquisa (Redecomep), que têm o objetivo de interligar instituições de ensino e pesquisa com conexões de internet em BL e com custo baixo.
Em 2009, segundo entrevista com o então Diretor-geral da RNP, na revista Gestor CT&I, as redes de fibra ótica, como no caso da Redecomep, atendem a um custo menor: “uma conexão de 1 Gigabit por segundo (Gbps) foram orçados, incluindo o custeio, em R$ 11,3 mil reais anuais, pouco mais da metade do custo de uma conexão bem mais lenta de 256 Kilobits por segundo (Kbps). Ou seja, um preço bem menor para quatro mil vezes a capacidade da banda.”
No Amapá é a UNIFAP quem faz a integração e capilarização da RNP. Assim, as instituições ao aderir a rede dividem custos e assumem responsabilidades inerentes a manutenção e até mesmo compartilhamento/acesso as informações geradas por essas.
Podemos aprender com Belém. A rede metropolitana de Belém desde que se tornou uma Redecomep incluiu mais de 165 pontos de presença. Isso significa dizer que são prédios governamentais, escolas, universidades, postos de saúde com acesso à Internet em BL. Além disso, a Secretaria de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia por meio do Projeto NavegaPará, fez com que muitos municípios se conectassem à internet em BL.
Deixo aqui minha colaboração para que o Governo possa já usufruir o acesso à informação e, seguidamente, possa compartilhar políticas de governo que induzam o desenvolvimento econômico, social e ambiental do Amapá, expressamente conectado em BANDA LARGA. Promessa de campanha cumprida!
domingo, 22 de maio de 2011
PROPOSTA DE ALTERAÇÃO DO NOVO CÓDIGO FLORESTAL-AMAPÁ
A discussão sobre a proposta do novo Código Florestal é relevante e precisa sair da discussão única e exclusiva do IEF.
Fora da instituição há uma sociedade que aguarda por essa oportunidade. Além dos parlamentares, indígenas, agricultores, sindicalistas, pecuaristas, técnicos, academia podem contribuir com a constituição de um pensamento que, aí sim poderá ser considerada NOSSA opinião.
Imagem: kallilchaves.wordpress.com
Fora da instituição há uma sociedade que aguarda por essa oportunidade. Além dos parlamentares, indígenas, agricultores, sindicalistas, pecuaristas, técnicos, academia podem contribuir com a constituição de um pensamento que, aí sim poderá ser considerada NOSSA opinião.
Imagem: kallilchaves.wordpress.com
sábado, 7 de maio de 2011
Feliz Dia das Mães
[Um pouco de Lya Luft para curtirmos o Dia das Mães]
[...]Que em qualquer momento, meus filhos, sendo eu qualquer mãe, de qualquer raça, credo, idade ou instrução, vocês possam perceber em mim, ainda que numa cintilação breve, a inapagável sensação de quando vocês foram colocados pela primeira vez nos meus braços: misto de susto, plenitude e ternura, maior e mais importante do que todas as glórias da arte e da ciência, mais sério do que as tentativas dos filósofos de explicar os enigmas da existência. A sensação que vinha do seu cheiro, da sua pele, de seu rostinho, e da consciência de que ali havia, a partir de mim e desse amor, uma nova pessoa, com seu destino e sua vida, nesta bela e complicada terra. E assim sendo, meus filhos, vocês terão sempre me dado muito mais do que esperei ou mereci ou imaginei ter.
terça-feira, 22 de março de 2011
Dia mundial da água
No Dia Mundial da Água reflexões a respeito da qualidade de água devem ser feitas. Pra começar, a orla do Santa Inês clama por uma Educação Ambiental tanto por parte dos que tudo jogam no Rio Amazonas quanto pelas instituições de fiscalização ambiental.
Sinto vergonha ao olhar a quantidade de lixo que jogam ali.
Muita gente ja falou sobre isso, onde há fumaça há fogo !!!
[E-mail recebido]
Assunto: Relato de um doutorando. É de ficar estarrecido ao se ler isso!
Recebi e achei muito interessante, por isso estou repassando.
Beijos
Celso Luiz Borges de Oliveira
Doutorando em Água e Solo FEAGRI/UNICAMP !DSPAM:4d404f1f185451445136245!
Segue abaixo o relato de uma pessoa conhecida e séria, que passou
recentemente em um concurso público federal e foi trabalhar em
Roraima. Trata- se de um Brasil que a gente não conhece.
As duas semanas em Manaus foram interessantes para conhecer um Brasil
um pouco diferente, mas chegando em Boa Vista (RR) não pude resistir a
fazer um relato das coisas que tenho visto e escutado por aqui.
Conversei com algumas pessoas nesses três dias, desde engenheiros até
pessoas com um mínimo de instrução.
Para começar, o mais difícil de encontrar por aqui é roraimense. Pra
falar a verdade, acho que a proporção de um roraimense para cada 10
pessoas é bem razoável, tem gaúcho, carioca, cearense, amazonense,
piauiense, maranhense e por aí vai. Portanto, falta uma identidade com
a terra.
Aqui não existem muitos meios de sobrevivência, ou a pessoa é
funcionária pública, (e aqui quase todo mundo é, pois em Boa Vista se
concentram todos os órgãos federais e estaduais de Roraima, além da
prefeitura é claro) ou a pessoa trabalha no comércio local ou recebe
ajuda de Programas do governo.
Não existe indústria de qualquer tipo. Pouco mais de 70% do território
roraimense é demarcado como reserva indígena, portanto restam apenas
30%, descontando- se os rios e as terras improdutivas que são muitas,
para se cultivar a terra ou para a localização das próprias cidades.
Na única rodovia que existe em direção ao Brasil (liga Boa Vista a
Manaus, cerca de 800 km ) existe um trecho de aproximadamente 200 km
reserva indígena (Waimiri Atroari) por onde você só passa entre 6:00
da manhã e 6:00 da tarde, nas outras 12 horas a rodovia é fechada
pelos índios (com autorização da FUNAI e dos americanos) para que os
mesmos não sejam incomodados.
Detalhe: Você não passa se for brasileiro, o acesso é livre aos
americanos, europeus e japoneses. Desses 70% de território indígena,
diria que em 90% dele ninguém entra sem uma grande burocracia e
autorização da FUNAI.
Outro detalhe: americanos entram à hora que quiserem. Se você não tem
uma autorização da FUNAI mas tem dos americanos então você pode
entrar. A maioria dos índios fala a língua nativa além do inglês ou
francês, mas a maioria não sabe falar português. Dizem que é comum na
entrada de algumas reservas encontrarem- se hasteadas bandeiras
americanas ou inglesas. É comum se encontrar por aqui americano tipo
nerd com cara de quem não quer nada, que veio caçar borboleta e
joaninha e catalogá-las, mas no final das contas, pasme, se você
quiser montar uma empresa para exportar plantas e frutas típicas como
cupuaçu, açaí, camu-camu etc., medicinais ou componentes naturais para
fabricação de remédios, pode se preparar para pagar 'royalties' para
empresas japonesas e americanas que já patentearam a maioria dos
produtos típicos da Amazônia...
Por três vezes repeti a seguinte frase após ouvir tais relatos: Os
americanos vão acabar tomando a Amazônia. E em todas elas ouvi a mesma
resposta em palavras diferentes. Vou reproduzir a resposta de uma
senhora simples que vendia suco e água na rodovia próximo de Mucajaí:
'Irão não minha filha, tu não sabe, mas tudo aqui já é deles, eles
comandam tudo, você não entra em lugar nenhum porque eles não deixam.
Quando acabar essa guerra aí eles virão pra cá, e vão fazer o que
fizeram no Iraque quando determinaram uma faixa para os curdos onde
iraquiano não entra, aqui vai ser a mesma coisa'.
A dona é bem informada não? O pior é que segundo a ONU o conceito de
nação é um conceito de soberania e as áreas demarcadas têm o nome de
nação indígena. O que pode levar os americanos a alegarem que estarão
libertando os povos indígenas. Fiquei sabendo que os americanos já
estão construindo uma grande base militar na Colômbia, bem próximo da
fronteira com o Brasil numa parceria com o governo colombiano com o
pseudo
objetivo de combater o narcotráfico. Por falar em narcotráfico, aqui é
rota de distribuição, pois essa mãe chamada Brasil mantém suas
fronteiras abertas e aqui tem estrada para as Guianas e Venezuela.
Nenhuma bagagem de estrangeiro é fiscalizada, principalmente se for
americano, europeu ou japonês, (isso pode causar um incidente
diplomático). Dizem que tem muito colombiano traficante virando
venezuelano, pois na Venezuela é muito fácil comprar a cidadania
venezuelana por cerca de 200 dólares.
Pergunto inocentemente às pessoas: porque os americanos querem tanto
proteger os índios ? A resposta é absolutamente a mesma, porque as
terras indígenas além das riquezas animal e vegetal, da abundância de
água, são extremamente ricas em ouro - encontram-se pepitas que chegam
a ser pesadas em quilos), diamante, outras pedras preciosas, minério e
nas reservas norte de Roraima e Amazonas, ricas em PETRÓLEO.
Parece que as pessoas contam essas coisas como que num grito de
socorro a alguém que é do sul, como se eu pudesse dizer isso ao
presidente ou a alguma autoridade do sul que vá fazer alguma coisa.
É, pessoal... saio daqui com a quase certeza de que em breve o Brasil
irá diminuir de tamanho.
Será que podemos fazer alguma coisa???
Acho que sim.
Repasse esse e-mail para que um maior número de brasileiros fique
sabendo desses absurdos.
Mara Silvia Alexandre Costa
Depto de Biologia Cel. Mol. Bioag.Patog. FMRP - USP
Opinião pessoal:
Gostaria que você que recebeu este e-mail, o repasse para o maior
número possível de pessoas. Do meu ponto de vista seria interessante
que o país inteiro ficasse sabendo desta situação através dos
telejornais antes que isso venha a acontecer.
Afinal foi num momento de fraqueza dos Estados Unidos que os europeus
lançaram o Euro, assim poderá se aproveitar esta situação de fraqueza
norte-americana (perdas na guerra do Iraque) para revelar isto ao
mundo a fim de antecipar a próxima guerra.
Conto com sua participação, no envio deste e-mail.
Celso Luiz Borges de Oliveira
Doutorando em Água e Solo FEAGRI/UNICAMP !DSPAM:4d404f1f185451445136245!
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Tumucumaque: uma discussão acadêmica sobre medidas compensatórias a partir do ecoturismo

O artigo, apesar de ter sido escrito em 2004, período em que muitos se manifestaram contra (e muitos ainda permanecem nessa condição) a criação do PARNA das Montanhas do Tumucumaque, as idéias continuam válidas especialmente quando afirmo:
[...] devemos desde já provocar debates com a sociedade, a fim de definirmos políticas públicas concretas voltadas para a cooperação tecnológica e financeira para a manutenção in situ dos recursos da biodiversidade, isenção [temporária] e/ou diminuição das taxas de impostos para empreendedores comprometidos com atividades econômicas que caracterizem um modelo econômico de desenvolvimento sustentável.
Essa lógica de desenvolvimento pode nortear as discussoes que inevitavelmente o Amapá terá de travar com a ponte Brasil-Amapá e Guiana Francesa, quando a agenda for a economia desencadeada a partir desse marco.
Abaixo, copio o artigo na integra publicado no site http://www.revistaturismo.com.br/artigos/tumucumaque.html]
Este artigo visa disponibilizar algumas informações, e quem sabe, contribuir com o aumento da consciência em relação a um processo que estamos vivenciando aqui no Estado do Amapá, por ocasião da criação do Parque Nacional das Montanhas do Tumucumaque.
A primeira discussão pública sobre a criação dessa unidade de conservação, é bom que lembremos disso, ocorreu em setembro de 1999 aqui na cidade de Macapá, no “Seminário de consulta para avaliação e identificação de ações prioritárias para conservação, utilização sustentável e repartição de benefícios da biodiversidade da Amazônia brasileira”, projeto do Programa Nacional de Diversidade Biológica (PRONABIO) do Ministério do Meio Ambiente, tendo como coordenação um consórcio formado pelo Instituto Sócio Ambiental-ISA, Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia-IMAZON, Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia-IPAM, Grupo de Trabalho Amazônico-GTA, Conservation International do Brasil-CI e Instituto Sociedade População e Natureza-ISPN, todos localizados fora do Estado do Amapá. Neste evento participaram mais de 220 profissionais, representados por organismos governamentais das três esferas, organizações não governamentais, instituições de pesquisa públicas e privadas, movimentos sociais, pesquisadores independentes e inclusive, a imprensa local. Portanto, não foi um processo de criação unilateral.
O Brasil, como um dos países signatários da Convenção sobre a Biodiversidade (1992) e mais recentemente da Rio +10, vêm realizando ações previstas nesta convenção por meio de um sistema de áreas protegidas intitulado Sistema Nacional de Unidades de Conservação – SNUC, que visa preservar in situ ( quando o estoque é preservado mediante a proteção do ecossistema onde o organismo encontra seu meio natural), amostras representativas das cinco grandes áreas ecossistêmicas brasileiras: Floresta Amazônica, Cerrado, Caatinga, Pantanal e Mata Atlântica, formando assim um imenso corredor de biodiversidade.
Hoje, o Amapá abriga 11 unidades de conservação, totalizando 55,17 % do território amapaense (SEMA, 2002). As unidades de conservação existentes aqui precisam ser compreendidas sob a ótica da necessidade de integração do meio ambiente x desenvolvimento, com atividades econômicas que podem ser desenvolvidas na área de ecoturismo, por exemplo.
Nós, enquanto membros pró-ativos de uma sociedade, responsáveis sobre os destinos dos recursos naturais, quando propomos discutir áreas protegidas devemos direcionar nossos olhares sob uma perspectiva ecológica e de análise social de custo-benefício que essas áreas poderão desencadear. E, para falar de unidades de conservação é preciso antes reconhecer a importância que o movimento ambientalista teve para consolidar essas discussões. Porém, não podemos ser contra a criação de unidades de conservação “achando” que por esta via o Estado está perdendo áreas para exploração dos recursos naturais e que são significativas para o seu desenvolvimento econômico. Quem têm este nível de compreensão são somente aqueles que defendem o atual modelo econômico que leva à exaustão os recursos naturais. Como exemplo de projetos que adotaram este modelo, citamos os projetos da ICOMI e Novo Astro.
Assim, só defendem esse modelo de desenvolvimento aqueles que, como uma obsessão, vêem os recursos naturais apenas como matéria prima para as transformações em bens econômicos baseados em modos de produção insustentáveis.
Quem é contra desconhece outros modelos de transformação dos recursos naturais em ativos ambientais e todo o processo de evolução da história de defesa do meio ambiente no mundo, e por isso mantêm posições démodé quando são tratadas estas questões. Todavia, não quero que esse posicionamento se estenda ao discurso da internacionalização da Amazônia, pois para isso demandaria um espaço bem maior, um livro quem sabe incluindo algumas discussões de ruptura do paradigma dominante.
Assim como Lula em entrevista para o Jornal O Liberal (17/09/2002) devemos refletir:
O Brasil precisa aprender a ser mais esperto [...]. Não pode acreditar em fantasias e a relação internacional precisa ser profissionalizada. Podemos chegar com eles, por exemplo, e dizer: vocês não precisam da Amazônia? Então, que vocês financiem esse desenvolvimento às custas da nossa orientação.
Acredito que a grande medida compensatória o Estado já deu mostrando ao mundo que nós amapaenses estamos sim dispostos a preservar grandes extensões de áreas e que agora o Hemisfério Norte, que tanto poluiu e continua poluindo e dizimando seus recursos naturais, financiem nossos projetos de desenvolvimento. Para tanto, devemos desde já provocar debates com a sociedade, a fim de definirmos políticas públicas concretas voltadas para a cooperação tecnológica e financeira para a manutenção in situ dos recursos da biodiversidade, isenção [temporária] e/ou diminuição das taxas de impostos para empreendedores comprometidos com atividades econômicas que caracterizem um modelo econômico de desenvolvimento sustentável.
A lei de ICMS ecológico é um caminho interessante para vencermos algumas etapas neste longo caminho a ser percorrido.
Concomitantemente a estas políticas de cooperação técnico-financeiro o Estado do Amapá pode e deve realizar estudos em relação aos custos e benefícios derivados destas unidades de conservação, e o que representa economicamente para o mundo o Tumucumaque. Para subsidiar esta resposta, têm-se discutido nos últimos anos na economia do meio ambiente, alicerçada nos fundamentos da teoria neoclássica, a fundamentação de conceitos e métodos para a valoração dos recursos ambientais, representando a incorporação desses cálculos nas decisões sobre a política econômica e ambiental nacional. Esses cálculos são baseados em análises e averiguações de uso (forma direta e indireta) dos ativos ambientais. Detalhe, este patrimônio deve ser avaliado também considerando os valores ambientais (aqui podemos inclusive considerar valores associados à beleza cênica, por exemplo) que o local representa para nós brasileiros, em especial, para nós amapaenses. Logo, não é correto tratar os ativos ambientais como se tivessem valor zero, correndo o risco de uso excessivo e até mesmo de sua completa degradação.
Aliado ao conhecimento científico para avaliarmos a relação custo x benefício, a sensibilização ambiental dos indivíduos envolvidos neste processo é de extrema importância para reintegrar o homem com a natureza. Logo, a educação ambiental é o instrumento que desempenha esta função com fundamentação no processo estratégico de problematização do paradigma dominante.
Assim, estas proposições para análise da viabilidade econômica do Parque do Tumucumaque visam potencializar os benefícios que poderão ser gerados a partir da criação de áreas protegidas, e a inclusão dos atores sociais no processo de legitimação social que esse modelo de políticas públicas sustentadas em bases sólidas poderão proporcionar.
É com essa sustentação teórica e a existência no Amapá de um patrimônio natural protegidos por unidades de conservação de uso sustentável e de proteção integral (distribuídas entre Área de Proteção Ambiental do Rio Curiaú; Reserva Biológica do Lago Piratuba, Parazinho e Fazendinha; Reserva Extrativista do Rio Cajarí; Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Rio Iratapurú; Estação Ecológica das Ilhas Maracá/Jipioca e do Jari e Parque Nacional do Cabo Orange e das Montanhas do Tumucumaque) que estamos particularmente analisando o desenvolvimento do ecoturismo no curso de bacharelado em turismo do IESAP.
Turismo, Lazer e Desenvolvimento Sustentável

[ARTIGO PUBLICADO EM 06/12/2005 no
http://www.etur.com.br/conteudocompleto.asp?idconteudo=8957]
Compreendemos que a atividade turística deva ser planejada na concepção sistêmica, pois o meio ambiente é a matéria-prima principal de quaisquer segmentos do turismo e constitui uma das maiores motivações das viagens de lazer e as conseqüências do fluxo em massa de turistas para esses locais devem ser avaliados, antes que valiosos patrimônios da humanidade se degradem irremediavelmente.
RESUMO
O presente artigo propõe a partir de um levantamento bibliográfico e de experiências acumuladas em discussões em torno do tema, analisar a interface do turismo, lazer e educação ambiental como um balizador para a promoção do desenvolvimento sustentável com base no respeito mútuo, com ética e solidariedade, apontando alguns cainhos alternativos que poderão ser trilhados em contraposição ao modelo econômico vigente tendo como escopo o indivíduo, a coletividade.
PALAVRAS-CHAVE: Visão antropocêntrica – meio ambiente - turismo – lazer – Educação ambiental.
INTRODUÇÃO
Propor uma discussão centrada no turismo, lazer e desenvolvimento sustentável pressupõe avaliar o paradigma dominante e o legado de impactos sócio-ambientais agenciado pelo modelo econômico vigente.
O conceito de desenvolvimento sustentável aqui adotado pertence à Kothari (1995, p. 285 apud SACHS, 1986, p. 67) quando compreende a expressão a partir da ética do respeito do fluxo da natureza, com respeito à diversidade da natureza e a responsabilidade de conservar essa diversidade como um ideal ético, de sustentação da vida, base não apenas da sustentabilidade, mas também da igualdade e da justiça.
Nesse contexto, o presente artigo trás uma tentativa desta autora em pensar o desenvolvimento sustentável com interface para o turismo como uma atividade econômica que têm os recursos naturais como principal atrativo e, o lazer compreendido como um elemento de resistência e negação à ordem social vigente.
O HOMEM E O MUNDO NATURAL
Para iniciarmos a discussão proponho uma reflexão em torno de Keith Thomas, quando em 1983 escreve um livro intitulado O Homem e o Mundo Natural. A leitura, é de fundamental importância para compreendermos a relação Sociedade x Natureza, adquirindo a capacidade de saber contextualizar o lazer e o meio ambiente sob a perspectiva do desenvolvimento do turismo sustentável.
É na abordagem religiosa e dos filósofos clássicos como Aristóteles, que se justificava os direitos humanos sobre o mundo natural. Esse espírito antropocêntrico é citado também para justificar a ferocidade dos animais selvagens, a existência de detestáveis répteis, o solo pedregoso e árido, o aparecimento de pulgas, mosquitos e outras pestes detestáveis. Estas ocorrências marcam a rebelião contra Deus (pecado original), no qual o homem perdeu o domínio fácil e inconteste sobre as outras espécies. Os vegetais, os animais e os minerais existiam com um propósito de atender à vida humana.
Até na distribuição geográfica dos animais, Deus teve critério: “Na Arábia os camelos foram colocados porque não havia água” - dizia um pregador em 1696.
Todo animal, portanto estava destinado a servir algum propósito humano, se não prático, pelo menos moral ou estético.
Porém, em contradição ao pensamento ocidental, ainda no século XVII as religiões orientais (gainas, budistas e hindus) estabeleciam uma relação de respeito sobre todas as formas de vida: vegetais e animais.
Para Karl Marx, também não foi a religião que causou a degradação do meio ambiente, sim o surgimento da propriedade privada, da economia privada e da economia monetária, quem faz os cristãos a explorar o mundo natural de uma forma que os judeus nunca fizeram; foi o que ele chamou de “a grande influência civilizadora do capital” e que pôs fim a deificacão da natureza.
Os cientistas e planejadores do século XVII se preocupavam também em estudar o mundo natural de forma prática e utilitária, isto é, sob o ponto de vista do “Império da espécie humana”. Foi com o ideal do controle do homem sobre a natureza, que os primeiros cientistas modernos realizaram suas pesquisas.
Para a ciência moderna, a superioridade do homem sobre as demais formas de vida estava na propriedade privada e em outras três características do ser humano: a fala, a razão e a capacidade humana para a livre ação e responsabilidade moral. Esta ultima é considerada para os teólogos a mais decisiva diferença: o homem dispunha de consciência e instinto religiosos. Foi baseado nesta terceira diferença, que René Descartes (1630 em diante) formula a tese de que os animais são meras máquinas, mas incapazes de falar, raciocinar e deter sensações. Enquanto que o homem é provido de mente. Para Descartes, só o homem combina, ao mesmo tempo, matéria e intelecto. O que Descartes dizia dos animais, seria dito, um dia, do homem.
A doutrina cartesiana, baseado na tese de René Descartes, degrada ainda mais os animais. Os animais eram tidos como máquinas, embora feitas por Deus e não pelo homem.
A civilidade, também foi decisiva para diferenciar o homem dos animais (animalidade).
Estes são alguns exemplos, na revisão do autor, para mostrar a forma de relacionamento dos homens para com os homens e para com as outras formas de vida.
Assim, toda essa trajetória para comprovar a distinção existente entre as diversas formas de relacionamento dos homens para com os homens e para com as outras formas de vida, inclui na atual sociedade novas ponderações com possibilidades de rever estilos de vida, de refletir seus valores, de assumir atitudes que admitam o respeito mútuo entre os seres, enfim regular uma economia sustentável baseada na equidade social e na manutenção dos recursos naturais para as gerações presentes e futuras.
MEIO AMBIENTE & LAZER
Contrapondo-se a uma concepção antropocêntrica do universo, a noção de dominação do ser humano sobre a natureza perde o seu valor quando assimilamos a visão holística do meio ambiente: não há mais a separação de uma coisa sobre a outra.
O pensamento sistêmico, contrário ao modelo cartesiano que concebe os organismos vivos como propriedades mecânicas, sugere a formulação de conceitos do novo paradigma, cujas estruturas especificas resultam das interações e de interdependência de suas partes. Para Capra (1986) “o pensamento sistêmico é pensamento de processo” e como tal é capaz de compreender o movimento cíclico da estrutura orgânica, diferentemente da concepção mecanicista que opera de forma linear, de causa e efeito.
Deste modo, compreendemos que a atividade turística deva ser planejada na concepção sistêmica, pois o meio ambiente é a matéria-prima principal de quaisquer segmentos do turismo e, constitui uma das maiores motivações das viagens de lazer e as conseqüências do fluxo em massa de turistas para esses locais devem ser avaliados, antes que esse valioso patrimônio da humanidade se degrade irremediavelmente.
Segundo Ruschmann (1997), o turismo sustentável exige que empreendedores do trade e administradores planejem, regulem, invistam e operem produtos e roteiros turísticos, impondo limites ao seu crescimento e definindo diretrizes para a conservação do meio ambiente, tanto do ponto de vista físico como social de forma a “evitar danos irreversíveis aos meios turísticos, para minimizar os custos sociais que afetam os moradores das localidades e otimizar os benefícios do desenvolvimento turístico”.
O turismo contemporâneo é um grande consumidor da natureza e sua evolução ocorreu como conseqüência da “busca do verde” e da “fuga” dos tumultos dos grandes conglomerados urbanos pelas pessoas que tentam recuperar o equilíbrio psicofísico em contato com os ambientes naturais durante seu tempo de lazer.
Contudo, estes espaços de extrema beleza natural vêm sendo alterados pelas temporadas de férias de turistas ávidos a usufruir seu tempo livre da forma mais gratificante possível, não se importando com os impactos decorrentes da falta de uma consciência turística, acreditando que, seu tempo livre é “sagrado” e que tem direito ao uso daquilo que pagaram e, permanecendo pouco tempo julgam-no insuficientes para serem responsabilizados pelas agressões ao meio ambiente.
A indústria do turismo como podemos perceber, fornece muito mais que diversão, entretenimento e lazer, é um campo privilegiado para reprodução de uma cultura e a possibilidade de desenvolver localmente uma comunidade com base no respeito as diferenças e respeito ao meio ambiente equilibrado. Ressaltamos, aqui, o conceito de lazer adotado por Marinho (2004, p.51):
O lazer pode se constituir tanto em um elemento de conformismo, passividade, quanto em um elemento de resistência e negação à ordem social vigente; não podendo receber o tratamento simplista de modismo, alienação ou simples consumo.
Aqui encontramos entre os conceitos de lazer e educação ambiental similaridades, na medida em que a Educação Ambiental surge como um instrumento que irá auxiliar na mudança de comportamento dos indivíduos e da coletividade.
Para Layrargues (2002, p. 92) o uso dos recursos naturais acarreta degradação ambiental em decorrência do desconhecimento dos aspectos ecológicos e tecnológicos e, da ganância individual de determinadosagentes econômicos.
O uso incorreto dos recursos naturais acarreta degradação ambiental, não só por causa do desconhecimento dos aspectos ecológicos e tecnológicos, mas também por causa da ganância individual de determinados agentes sociais da exploração do recurso natural a fim de obter ganhos monetários a curto prazo, maximizando uma atividade produtiva; ou, ainda, por causa da incorreta percepção do senso comum de que o patrimônio ambiental não deveria ser tratado como um bem da coletividade, pois seria um bem individual.
A inclusão da Educação Ambiental, implica a incorporação do ambiente humano em suas práticas, incorpora os processos decisórios participativos com um valor fundamental a ser considerado na proteção ambiental.
Reconhecer a crise ambiental como uma crise civilizatória significa compreender o novo paradigma a partir de uma mudança na estrutura da sociedade e estabelecer uma relação mais ética para com as presentes gerações. E é o que a Educação Ambiental e o lazer pressupõe nas falas discorridas pelos autores.
No nível da política pública Layrargues (2000), apresenta o direito ao meio ambiente não como uma oferenda dos deuses, mas sim uma conquista da sociedade.
A política ambiental não é considerada apenas um conjunto de princípios listados no papel pelo poder público, mas sim frutos de embates travados no universo da participação em busca de autonomia e emancipação política. O direito ao meio ambiente não é uma dádiva, mas uma conquista. Não vem, portanto, de cima para baixo, mas é construída de baixo para cima.
Assim, o autor propõe com bases nessas experiências o vencimento de alguns obstáculos para que a construção dos espaços públicos de participação para emancipação política da sociedade sejam capazes de possibilitar a efetiva gestão ambiental.
CONCLUSÕES
Concluímos o artigo reconhecendo que, assim como a atividade turística propõe uma diversidade de lazer tendo como atrativos os recursos naturais e o patrimônio cultural, a Educação Ambiental surge como um imperativo à necessidade de estar mais próxima possível do conceito da sustentabilidade, mantendo a base dos recursos naturais para as presentes e futuras gerações.
REFERÊNCIAS
CAPRA, F. A Concepção Sistêmica da Vida. In: CAPRA, F. O Ponto de Mutação. São Paulo: Cultrix, 1986.
GEMAQUE, Irani do Socorro F. da C. A Inserção da Educação Ambiental no Paradigma Verde. In: CHAGAS, Marcos Antonio (org.). Sustentabilidade e Gestão Ambiental no Amapá: Saberes Tucujús. Macapá: SEMA, 2002. p. 120 – 127.
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